30/ago/2016

Sobre mortes, renascimentos e mudanças

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 E todo dia, eu nasço, eu cresço, eu adoeço…eu morro um pouco mais, pra me trazer pra vida (Acordar – Fresno)

Esse trecho da música ‘Acordar”, da banda Fresno, vai ao encontro de algumas reflexões que tenho feito nas últimas semanas. Nós, seres humanos, passamos por várias mudanças ao longo da vida. Nascemos, vivemos a infância, a adolescência e de repente viramos adultos (pelo menos na teoria), até chegar na terceira idade.

Diferente das outras fases, que de certa forma são curtas, passamos um longo tempo sendo adultos. Levando em conta que a adolescência termina aos 19 e a terceira idade começa aos 60, passamos 40 anos nessa fase.

Muito tempo, não é mesmo? E durante esse período, dificilmente conseguimos ser a mesma pessoa. Alguns valores e ideais talvez nunca mudem, por fazerem parte da nossa essência, mas sem dúvida, muito do que somos lá no começo da vida adulta vai morrendo com o tempo. Nós morremos e nascemos o tempo todo.

Aí você me diz: “Isso é óbvio, Talita…as pessoas mudam, amadurecem, etc, etc”. Eu sei disso. Muitas vezes, passamos por essas mudanças sem perceber, por ser algo tão natural. Existe ainda outra situação, que é quando buscamos a mudança. Por exemplo: quando alguém decide dar um up no visual, ou mudar de carreira, de país. São escolhas.

Mas o ponto que eu quero chegar é: existem “mortes” que não passam despercebidas e que a gente não escolhe. Por motivos que fogem do nosso controle, elas acontecem, e a gente sente, e o pior…dói muito.

Essa sensação pode vir em várias situações: no fim de um relacionamento, em uma demissão indesejada, com uma doença, a morte física de uma pessoa querida. Como lidar com esse vazio terrível? Como olhar o mundo com algum tipo de esperança de que algo vá dá certo nessa vida de novo? Nesse momento, precisamos renascer.

Essa não é uma tarefa fácil, mas necessária. É muito difícil mudar a percepção do mundo, aceitar que talvez enxergávamos com uma lente não muito boa, e agora ter que trocar de óculos e ver a cruel realidade que a vista embaçada desconhecida não permitia.

E não vou ser tão otimista a ponto de dizer que esse renascimento só traz coisas melhores.

Mudei muito nos últimos 3,4 anos, tanto fisicamente como mentalmente. Todos falam que eu estou muito melhor, mais falante, mais bonita, mais madura, etc, etc. Realmente, sinto muito dessas mudanças e agradeço a todos que me ajudaram a mudar positivamente. Mas confesso que sinto falta da Talita de antigamente. No meio dessas mortes e renascimentos, ficou muita coisa boa de mim para trás. O que eu mais sinto falta é da minha sensibilidade em algumas situações. É difícil explicar, mas resumindo em duas frases: talvez por ter começado a falar mais, perdi um pouco a minha capacidade de observar. Sinto tanta falta disso.

Acredito que esse tipo de situação acontece com muitas pessoas. Por pressão, ou necessidade, muitas vezes renascemos de uma forma que não queremos, mas precisamos. Se acostumar com esse novo “eu” é como ser apresentado a alguém novo, uma nova versão de nós. E não existe muita opção: precisamos nos adaptar a essas mudanças.

Quando os bebês nascem, geralmente eles vêm ao mundo chorando muito (isso que nem imaginam o que vão enfrentar). E alguns renascimentos ao longo da vida são muito parecidos: choramos, nos assustamos, mas assim como o bebê, não podemos voltar atrás e nos esconder em algum lugar conhecido. Precisamos secar as lágrimas e seguir, rumo à próxima história da nossa vida.

Decidi escrever esse texto porque sinto que estou passando por essa fase. E vocês, já sentiram isso? Como lidaram com a situação? Compartilhem comigo nos comentários!!!

(OBS: Algumas pessoas me falaram que estão com problemas para comentar. Quem não conseguir, pode mandar mensagem pelo Facebook ou Twitter. Obrigada!!)

                
 

4 Comentários

  1. FABIOTV disse:

    Olá, tudo bem? Tem que insistir aqui para deixar o comentário. Ontem, a democracia morreu no Brasil. Renascimento só em 2018….Bjs, Fabio http://www.tvfabio.zip.net

  2. FABIOTV disse:

    Olá, tudo bem? Então agora você é uma Talita tagarela? hahahaha…. Como você disse no texto, se mudei, não percebi. Talvez na política, tenha mudado alguma visão sobre alguns partidos e tal, mas, no geral, continuo do mesmo “jeitinho” hahaha (já ouvi isso kkkk). Bjs, Fabio http://www.tvfabio.zip.net

    • Talita Cruz disse:

      Hahaha, tagarela ainda não, mas falando mais com certeza.
      Talvez as suas mudanças tenham sido imperceptíveis aos olhos das pessoas rs.
      Obrigada pelo comentário! Bjus!!

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