21/jun/2016

Depois a louca sou eu – Tati Bernardi

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“De médico e louco, todo mundo tem um pouco”, já dizia o ditado, e uma das sensações mais legais do mundo é quando nos identificamos com alguém na nossa loucura. Foi exatamente isso que senti ao ler “Depois a louca sou eu”, escrito pela Tati Bernardi.

Ela é publicitária, escritora, roteirista da Globo e possui uma coluna na Folha de S. Paulo. Nesse livro, Tati resolveu falar sobre um problema que lhe acompanha desde criança: o transtorno de ansiedade. Ela narra algumas situações difíceis utilizando o bom humor, como as crises nas viagens de avião, a mania de fazer listas para tudo, os desmaios em diversos lugares, a busca por tratamentos alternativos, até a utilização de remédios e todos os efeitos colaterais que eles trouxeram – como parecer drogada em uma entrevista de TV, por exemplo.

Quando eu digo que me identifiquei, é porque também tenho problemas de ansiedade. Felizmente, nunca passei pela maioria das situações descritas no livro, mas entendi perfeitamente tudo o que ela passa. É um pouco difícil explicar, e já desisti disso há algum tempo, mas acredito que esse livro deveria ser lido por todos. Muitas pessoas possuem problemas de ansiedade, e simplesmente não sabem.

Muitos acreditam que estarem preocupados o tempo todo com o futuro, se culparem por várias situações, ter pensamentos recorrentes sobre a mesma coisa são características normais, mas não são. Isso é um problema de ansiedade. E na sociedade em que vivemos, infelizmente, é cada vez mais comum apresentar esse transtorno. Somos cobrados o tempo todo, para ter sucesso, amor, dinheiro, felicidade, e óbvio que a vida não é só isso. Mesmo assim, muitas pessoas criam dentro de si angústias quando não alcançam esse ideal de perfeição, que mais tarde pode virar ansiedade ou até mesmo depressão.

Voltando ao livro, talvez muitos não acreditem nas histórias narradas pela Tati, tamanho o absurdo e loucura. Mas quem sabe o que é uma crise de ansiedade, com certeza, vai ler e pensar: “é assim mesmo”. Ela mistura momentos de sensibilidade, humor, sarcasmo, tristeza, e comentários politicamente incorretos. Essa mulher não tem papas na língua! (maravilhosa).

Vou deixar alguns trechos para que vocês tenham um gostinho do livro:

Minha primeira crise de pânico foi no meu aniversário de vinte e nove anos. Reservei o “andar de cima inteiro” de um restaurante em Ipanema. Chamei umas quarenta pessoas, todos, sem exceção, amigos novos. Fazia cinco meses que eu estava morando no Rio. Fui até a porta do restaurante, olhei para toda aquela gente e pensei: “não”. Não conheço essas pessoas. E decidi ser a única a não ir à minha festa de vinte e nove anos.

Você que curte cocaína, ácido, MDMA…me explica: para que se sentir pilhado? Eu me sinto pilhada desde que nasci e…que cansaço, pelo amor de Deus. Jura que você precisa de algo “que te tire de você”? Que “te leve daqui”? Eu só quero algo que me devolva a mim. Que me deixe ficar sentada, quieta, calma.

Lembrando que durante a FLIP, estarei presente na mesa da Tati, então talvez esse post tenha algumas atualizações 😀

E vocês, conhecem alguém ou possuem algum problema com ansiedade?

                
 

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