14/jun/2016

[Filme] ‘Truman’ faz reflexão sobre morte e amizade

truman

Tomás e Júlian

Pense em um grande amigo (a), aquela pessoa especial que esteve presente durante vários momentos da sua vida. Pensou? Agora, imagine se ele (a) tivesse um câncer terminal, e você precisasse ajudá-lo a se despedir da vida aos poucos?

Essa é a premissa de Truman (2015), filme produzido na Espanha e na Argentina e dirigido por Cesc Gay. Na história, Tomás (Javier Cámara) vai até Madri passar 4 dias com o amigo, Júlian (Ricardo Darín), que está fazendo um tratamento de câncer no pulmão. Lá, ele descobre que Júlian desistiu de lutar contra a doença, que já está em uma fase avançada, e decidiu procurar uma nova família para seu cão, Truman. Ele pede a ajuda de Tomás nessa missão, além da companhia do amigo para resolver algumas questões, como a organização do velório e a última visita ao filho, que mora na Holanda.

Truman e Júlian

Truman e Júlian

Júlian em nenhum momento esconde sua fragilidade e preocupação com o avanço da doença, mas, ao mesmo tempo, lida com a aproximação da morte de uma forma racional, até mesmo prática. Ele quer resolver o que for possível antes de perder sua autonomia. Mesmo diante dessa situação, é bem-humorado e nos arranca umas risadas durante o filme.

O que me chamou a atenção é o respeito que Tomás teve pela decisão do amigo. No primeiro momento, naturalmente houve um choque com a notícia, mas depois ele não questionou mais a essa escolha. Em uma cena, uma amiga deles o pergunta se ele não vai fazer nada para tirar uma ideia aparentemente maluca da cabeça de Júlian (coisa que eu também faria). Ele diz que não, e que admira muito a coragem do amigo diante dessa situação.

Mesmo presenciando os medos de Júlian, sua preocupação, suas lágrimas, em nenhum momento ele tentou fazê-lo mudar de ideia. Eu não sei se conseguiria ter essa mesma postura, e me veio um questionamento: será que alguma mulher conseguiria ter essa visão mais racional? A amiga não conseguiu. De forma alguma isso é uma crítica aos homens, pois acredito que Tomás estava certíssimo, mas não imagino uma história assim protagonizada por duas mulheres. Com certeza, teriam muito mais conflitos, questionamentos, lágrimas, etc (somos assim mesmo, fazer o quê? rs).

Não que Tomás também não esteja abalado com a situação, inclusive existe uma cena bem emblemática em que ele desabafa toda a tristeza que está sentindo, mas foi interessante perceber mais uma vez a diferença no modo como homens e mulheres lidam com as emoções. Nesse caso, confesso que tive inveja da racionalidade masculina.

O filme mostra a importância da amizade, do respeito à decisão dos amigos (mesmo que seja contra sua vontade) e traz uma reflexão sobre a perda e a morte. Caso ‘Truman’ não tenha despertado o seu interesse, lhe dou apenas um motivo para assistir: Ricardo Darín. Ele é o ator mais famoso do cinema argentino, e seus filmes são sempre muito elogiados.

Confira o trailer de ‘Truman’:

E vocês, o que fariam nessa situação?

                
 

0 Comentários

Deixe o seu comentário!