24/fev/2016

[Documentário] Amy

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Trilha sonora do post: Back do Black 

Nunca fui fã da Amy Winehouse. Quando ela morreu, em 2011, meu gosto musical era bem limitado, então a visão que eu tinha dela era a de uma cantora estilosa e cheia de problemas com álcool e drogas.

Mesmo assim, não pude deixar de assistir o documentário Amy, lançado em 2015 e dirigido por Asif Kapadia. De fato, sua vida foi marcada pelo terrível vício, mas a forma como ela chegou até ele é que torna sua história ainda mais triste.

De acordo com o que vi no documentário, Amy era aquele tipo de pessoa que nasce com um brilho especial e está destinada a fazer algo grande na vida. As primeiras imagens mostram suas amigas e ela (ainda adolescente) comemorando o aniversário de alguém, e quando Amy abre a boca para cantar “Happy Birthday To You”, todos ficam sem palavras. Ela já nasceu artista.

Início da carreira

Esse talento logo é descoberto pela indústria da música e ela lança seu primeiro CD, Frank, em 2003. O início de sua carreira é bem rápido e ela logo fica conhecida como uma revelação do Jazz. Por não ser um estilo de música tão popular, nesse momento ela ainda não recebe o reconhecimento do grande público. Tudo ia muito bem, até que o destino trágico começa a ser escrito. Ao se mudar para o distrito de Camden, em Londres, ela conhece o músico Blake Fielder, e em pouco tempo os dois começam a namorar.

Uma mulher sensível, dois homens sanguessugas

Fica claro no documentário que ele foi uma péssima influência para a vida de Amy. Desde pequena, ela já tinha alguns problemas de depressão e bulimia, ou seja, já era uma mulher sensível e que precisava de um acompanhamento psicológico. Blake apresentou a heroína para ela, uma droga que vicia muito rápido e que logo começou a destruir a vida da cantora.

Por uma grande ironia do destino, após o primeiro término dos dois, Amy mergulhou em um processo criativo intenso e lançou o CD Back to Black, em 2006. Foi esse álbum que a tornou conhecida mundialmente. Nesse momento, seu pai também começa a influenciar (negativamente) sua vida, já que ele passa a cuidar da carreira dela e a explorar a própria filha, marcando shows quando ela não tinha condição de cantar e prejudicando o tratamento na clínica de reabilitação (assim como Blake, que não permitia que ela se tratasse).

Não tive dúvidas de que os dois foram os grandes responsáveis por acabar com a saúde de Amy. Cheguei a chorar em certo momento do documentário, porque me doeu ver uma mulher tão linda, forte e, ao mesmo tempo, tão fragilizada. Quantas mulheres também não têm suas vidas destruídas por conta da exploração mental de um homem? É muito fácil para quem está de fora falar: “Ah, mas ela se afundou porque quis”. Não!! Não é assim que as coisas funcionam. Os dois homens que ela mais amava e confiava na vida não se importaram com ela, só queriam o dinheiro que ela podia oferecer. Ela só foi uma vítima dessa história. A mãe pouco aparece no documentário, mas a impressão que eu tive é de que ela também não teve força para lutar contra esse jogo de interesses em cima de sua filha.

A exploração da mídia também é destacada no documentário. Muitas vezes, Amy saía de casa e não conseguia abrir os olhos, de tantos flashs que “pipocavam” em seu rosto. Os paparazzos também agiam como sanguessugas, assim como toda a imprensa britânica. Como jornalista, entendo que esse é um trabalho de uma indústria que tem um grande público, mas me sinto mal vendo esse tipo de situação. É complicado.

Apesar de nunca ter sido fã de Amy, sua história me tocou muito. Ela teve uma vida muito curta, mas intensa. Com certeza, seu trabalho nunca será esquecido, e que sua memória seja lembrada com muito respeito e admiração.

                
 

1 Comentário

  1. FABIOTV disse:

    Olá, tudo bem? Amy é uma grande artista.. Muitos assistiam ao show já sabendo que era a última oportunidade de vê-la pessoalmente…Bjs, Fabio http://www.tvfabio.zip.net

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