28/dez/2015

Black Mirror: o presságio de um futuro assustador?

BM

Nas últimas semanas, e depois de muitas indicações, assisti a série britânica Black Mirror. Desde então, minha vida se resume à relacionar situações dos nosso dia a dia com os episódios da série. São 7 episódios, divididos em 2 temporadas. Cada um conta uma história única, com diferentes atores e personagens. O fato de ser uma produção curta já anima quem costuma acompanhar séries, mas existem vários outros motivos para assistir Black Mirror.

Soco de realidade

A série retrata alguns dramas do ser humano, sempre com a tecnologia como parte importante da história. Alguns elementos são reais, como internet, smartphones e redes sociais, mas somos apresentados à recursos que ainda não existem (digo “ainda” porque acredito que alguns podem ser desenvolvidos algum dia). Além de várias reflexões sobre a influência e os limites da tecnologia em nossa vida, a série traz diversos questionamentos sobre a sociedade do espetáculo. A desgraça alheia é cada vez mais consumida, de forma quase sádica. É aí que surge aquela velha reflexão: a mídia explora essas situações por que existe público ou existe público por que a mídia explora?

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A presença das redes sociais em nossa vida é questionada em vários momentos, de forma até assustadora. Em alguns episódios, entre brigas de personagens, vemos uma situação surreal: é possível “bloquear” a pessoa que está causando algum tipo de irritação. Com um clique em um botão, o indivíduo torna-se um “vulto” e perde a capacidade de se comunicar com quem o bloqueou. É a nossa realidade atual, levada ao extremo.

No último episódio, outra cena que me chamou a atenção: um “consultor amoroso” está ajudando um cara a se dar bem com uma garota em uma festa cheia de desconhecidos. Ele faz isso através de um aparelho conectado ao olhos do rapaz, que permitem que o consultor enxergue tudo o que ele vê no local. Essas imagens são transmitidas através de vídeo. Ao avistar o grupo com a menina em questão, o consultor dá um simples clique na tela, em cima do rosto das pessoas. O resultado: ele tem a ficha completa sobre a vida deles, como profissão, hobbys e etc.

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O mais assustador é que fazemos isso na vida real, quando acessamos o perfil das pessoas nas redes sociais. Claro que não saímos clicando no rosto de desconhecidos em festas, mas essa ficção é muito próxima da nossa realidade. E isso não é legal. Estamos cada vez mais expostos e buscando informações sobre a vida alheia, que caem em nossas mãos de forma muito fácil. É só dar um clique.

Estamos tão imersos nessas tecnologias que não paramos para pensar sobre todas essas questões. Black Mirror é um tapa na cara, é impossível assistir e sair imune.

A série está disponível no Netflix, que será responsável pela produção da terceira temporada (Ebaa). Para quem gosta de pensar “fora da caixa”, essa é a minha dica para esse final de ano!! Assistam e depois me contem o que acharam 🙂

                
 

3 Comentários

  1. Bruno Melo disse:

    Muito bom! Excelente indicação

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