14/fev/2015

Documentário “Cássia Eller” mostra fragilidade atrás do furacão

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Cássia, Chicão e Maria Eugênia

Estreou no último dia 29 o documentário Cássia Eller, dirigido por Paulo Henrique Fontenelle. São depoimentos de familiares, amigos e várias imagens de arquivo pessoal, contando um pouco da vida da cantora e da história que grande parte do público não conhece.

De cara, o que chama a atenção é a inexplicável timidez de Cássia. Quem via aquele furacão no palco, pulando, berrando, mostrando os peitos e fazendo gestos obscenos não podia imaginar a grande dificuldade que ela tinha em falar em público. Dar entrevistas era uma verdadeira tortura, que só foi se intensificando conforme Cássia ficava mais famosa.

Outra característica citada por seus amigos e familiares era a sua doçura. É muito comum que as pessoas enxerguem as lésbicas que adotam uma aparência masculina como homens, mas, é obvio que a essência de ninguém se define pela aparência. Cássia era uma mulher doce e muito amada por todos à sua volta, conquistando e se relacionando livremente com homens e mulheres.

Aliás, é lindo ver a sua história com Maria Eugênia, companheira e grande amor da sua vida. Elas tinham um relacionamento aberto, mas que provavelmente tinha muito mais respeito do que muitos casamentos “monogâmicos” por aí. Chicão, único filho de Cássia, foi fruto de um rápido envolvimento com um percussionista da sua banda, que faleceu antes do nascimento do menino. Maria Eugênia não só acolheu o garoto, como brigou na justiça para que pudesse ficar com a sua guarda após a morte de Cássia, fazendo história na luta pelos direitos homossexuais no Brasil.

Talento e explosão

Cássia tinha uma voz marcante, e aliada com a sua postura no palco, se tornou uma imagem inesquecível na memória dos brasileiros. No começo de sua carreira, ela apostou em um estilo mais agressivo e explosivo, mas em seus últimos trabalhos foi possível observar um estilo mais suave. Além da sua famosa parceria com o cantor Nando Reis, um outro motivo explica essa mudança: Chicão.

Em um certo dia, o garoto disse para Cássia que ela “gritava demais” e que quem cantava bem era a Marisa Monte. E que mãe não quer fazer as vontades do filho? Foi aí que Cássia começou a buscar o estilo que a fez estourar no Brasil, com o CDs Com você…meu mundo ficaria completo (1999) e Acústico MTV (2001).

Morte polêmica 

Não é segredo que Cássia abusou do álcool e das drogas em determinada época da sua vida. Porém, o documentário reafirma o que foi comprovado algum tempo depois de sua morte: Ela não sofreu uma overdose, e sim foi vítima de um infarto, que foi causado pelo grande estresse que ela passava devido à fama e a cobrança de todos. Para quem conhecia a cantora, ver as falsas notícias na imprensa foi muito triste, e fica claro (mais uma vez) como certos veículos de comunicação são apelativos e antiéticos.

2002-01-19

Capa da Revista Veja após a morte de Cássia

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Um mês depois, resultados comprovam que Cássia não teve uma overdose

A história de Cássia é fantástica por si só, então achei um pouco desnecessário alguns efeitos de imagem. Percebi que esse é um recurso muito usado em documentários sobre música, mas precisa ser utilizado com cuidado, para não ficar exagerado.

Infelizmente, quando ela faleceu, eu era pequena e estava começando a ouvir suas músicas. Tenho certeza que hoje bateria cartão em todos os seus shows e que ela seria a grande porta voz de várias ideias que eu apoio.

Tem uma frase que eu adoro, que eu carrego comigo sempre, e que veio de uma das músicas dela. Obrigada, Cássia, por traduzir tantos sentimentos através das suas canções e da sua história.

“O mundo está ao contrário e ninguém reparou….”

 

                
 

3 Comentários

  1. Oi guria…
    Sou fã da Cássia Eller! Uma voz, uma expressão única. Gosto muito do álbum póstumo “Dez de dezembro”, que traz um estilo mais introspectivo. O acústico MTV é lindo! A versão de “Luz dos olhos” é sensacional… Cássia Eller partiu no auge, quando o público começou a reparar e conhecer o seu talento. Adorei o post!

  2. FABIOTV disse:

    Olá, tudo bem? Não assisti ao documentário, mas li críticas positivas. Lembro quando soube da morte da cantora: estava na casa da minha avó no Rio Grande do Sul. Fiquei triste… Bjs, Fabio http://www.fabiotv.zip.net

  3. Apenas uma palavra que define tudo o que sinto sobre ela: arte!

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